_______________________________________E se esvai no momento seguinte...

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Nuvens no fim do verão...

Era uma tarde de domingo com Sol desinibido e céu granulado de nuvens. A menina sonhara com este dia e aguardava ansiosamente por ele. Na sua casa ela preparou comida suficiente e colocou numa mochila, estava pronta. Alguns minutos depois ele chegou, pontualmente, com aquele sorriso no rosto que ela adorava, e ele disse: "Vamos! Hoje será um dia incrível na montanha!", ela concordou com a cabeça. Assim começaram a subir o Monte das Nuvens, famoso entre os conhecedores das artes secretas, como este ficava perto da casa dela eles foram a pé.

Na subida conversaram pouco, encontraram esquilos e cerejeiras em flor em todo o caminho. A menina estava tranquila agora, esse era um dos poderes dele sobre ela: acalmá-la. Ele era sempre prestativo: ajudava ela quando o caminho era íngreme demais ou tortuoso demais para a baixa estatura dela.

Quase chegando lá em cima do Monte das Nuvens o menino disse "hoje é um ótimo dia, dará para fazer o que eu queria tanto te mostrar", ela não respondeu, pensara tanto nas possibilidades, sonhara tanto com este momento, espera tanto que às vezes chegava a doer o coração. Mas hoje nada ia tirar a felicidade dela, nem o cansaço da subida, nem o medo, nem o tempo.

Como vocês não estão habituados com este mundo, deixa eu explicar: No Monte das Nuvens, no dia em que acaba o verão, é aberto um portal que somente os conhecedores das artes secretas conseguem enxergar. E o menino era um deles, mas ele só poderia levar junto com ele uma pessoa a cada ano. A menina temia não ser escolhida, como aconteceu no ano passado, mas este ano ele a escolheu e ela estava eufórica.
Quando o Portal se abriu, ele sentiu o calor do Sol, era azul, da cor do céu, estava aberto o portal que levava ao pico do Monte das Nuvens. Sorrindo, o menino pegou a mão da menina, e caminhou lentamente. Quase esqueceu a sua mochila, voltou para pegar, e, juntos atravessaram o portal.

Era fantástica a vista lá de cima, tinha um pequeno chão de terra, uma pedra, e o resto era um tapete imenso de nuvens, que ia até o horizonte. O Sol dava as caras, e sorria para eles, ninguém iria atrapalhar este momento. Sentaram numa pedra e olharam o Sol, o calor irradiava dele, e a menina achou que fosse chorar de felicidade, mas não chorou externamente, o menino abraçava ela e sorria enquanto olhava para o Sol. Pegou a mão dela e a levou para o seu primeiro passo sobre as nuvens.
Ele parou na borda entre terra e nuvem, olhou para ela e deu um passo. Olhou-a com alegria e estendeu a mão, ela hesitou por menos de um segundo, e deu o passo que ela tanto esperou. Até que enfim, estava andando sobre as nuvens! E ela começou a correr, ele a acompanhou. Em um momento ela pegou carona nas costas do amigo, noutro deitou no chão de nuvens que era muito confortável. Correram, brincaram, comeram um pedaço das nuvens, tinha gosto de algodão doce. E deitaram perto do círculo de terra, olhando o Sol se por.

A menina olhava para o Sol como um amante olha para o ser amado. E o menino olhava para ela da mesma maneira. Só eles sabiam o quanto esperaram por este momento, e eles fizeram tudo do jeito certo. Ela queria dizer para o menino o quanto ele era especial para ela, mas sentiu que não precisava. Ele sibilou algo, ela perguntou o que ele tinha falado, e ele sorriu em resposta. No fundo dos olhos dele estava a resposta, e o silêncio foi mais revelador do que qualquer palavra. Ele queria mostrar à ela o quanto a vida é bela, por isso a escolheu, pois saberia que com este momento a vida dela seria diferente. Ela ficara tão feliz que sabia que faria de tudo para ver ele feliz.

Voltaram para a terra e comeram o que ela trouxera, em cima de uma toalha de mesa que ele trouxera e assim saíram as coisas da mochila dele: um cobertor, uma garrafa de suco, uma cereja e dois pedaços de "pudim dos anjos" que era a sobremesa favorita de todos da região. Comeram. Atravessaram o portal e desceram a montanha. Ele deixou ela em casa sem querer [querendo] com beijo no canto da boca. Ela entrou quase correndo em casa, derretendo de amor pois tinha certeza que sua vida seria maravilhosa.

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