_______________________________________E se esvai no momento seguinte...

domingo, 26 de maio de 2013

Cap 15 - A Viagem

Despida de todas as intenções sobre o mundo eu apenas me deixei levar pelo trem para onde quer que ele fosse. Não vou dizer que eu não tinha esperanças de ser aceita em um outro lugar porque eu estaria mentindo: queria que me acolhessem como um igual...

A cada parada eu brincava mentalmente de onde eram as pessoas, para onde estavam indo e o motivo que fazia elas se deslocarem por tantos quilômetros. Enquanto inventava histórias meu coração se curava, e em uma destas paradas entrou um homem simples, com o olhar brilhante e calado, mas eu podia jurar que conseguia ver um sorriso singelo nos olhos dele.

Por obra do destino se sentou na minha frente porque tinham ocupado o lugar dele: era só um casal tentando ficar junto, algo que ele resolveu com apenas duas trocas de palavras sem alterar seu humor, ele tinha fibra isto eu podia sentir de longe. Como os bancos eram de frente um para o outro eu podia observá-lo sem mesmo ter que mexer a minha cabeça, e nem mesmo meus olhos, adoro a minha visão periférica. Nenhum dos dois falava. Foi a viagem mais comprida que eu já fiz e a mais rápida.

Ele desceu logo na próxima estação e eu sem pensar desci junto. Eu não tinha para onde ir, o que fazer, onde ficar, meus planos estavam zerados então eu decidi arriscar. Ele sorriu enquanto me entregava a minha mala de mão, pegou a dele e desceu. Não o vi por dias naquela pequena cidade, me instalei em uma taberna e passeava todos os dias pelas ruas, no horário em que o trem passava eu sempre estava por lá para verificar se ele passaria por ali, nenhuma notícia.

Um dia em uma praça teve uma apresentação dos guardas na praça central e sem querer o encontrei em meio a multidão. Mais que rapidamente me posicionei ao seu lado e quando ele percebeu a minha presença olhou para mim e disse que precisava conversar comigo. Eu gelei de medo... Medo do quê? Como falar todos os medos que passaram pela minha cabeça? Nos sentamos em um banco da praça e conversamos, descobri seu nome: Giuseppe, descobri o que ele queria falar: me convidava para ir para a próxima cidade, descobri que o sorriso dele era ainda mais bonito quando ele mostrava os dentes! E o que eu tinha a perder? Nada. Ponderei sobre o fato de um estranho [que tinha algo de familiar] vir me fazer uma proposta destas pois eu obviamente estava sozinha... Mas nenhum aviso mental surgiu e eu concluí que ele estava sendo sincero.

Partimos alguns dias depois...