E se esvai no momento seguinte...

quinta-feira, 28 de abril de 2016

Inka-trip foda!

Há exatamente três anos atrás fiz um post no Facebook sobre a Viagem que apelidamos carinhosamente de "Inka-trip". Com um total de 18 dias saindo de Erechim - RS percorremos muitos quilômetros passando pela Argentina, Chile e Peru. Conhecemos algumas cidades sensacionais como as salinas de Jujuy na Argentina, San Pedro de Atacama no Chile; Lima, Cusco, Puno no Peru. Esse é um resumo das aventuras que vivemos. Segue o breve relato feito há 3 anos atrás no Facebook e alterado nessa postagem:

"E um dia você vê que todo o esforço para estar em outro país, com outras pessoas, em outra realidade compensa. Toda a experiência vivida é enriquecedora! Ficar na frente do computador não te muda em nada, talvez na forma física só: você tende a ficar redondo...

Bom mesmo é passar fome na estrada, sofrer com os efeitos da altitude, sentir como é -15ºC na pele e ainda nadar em uma piscina natural termal. É quase não dormir por vários motivos e no ônibus finalmente dormir como se não houvesse amanhã. Aliás, o ônibus é um ótimo lugar para se fazer uma festa memorável, porque não? (Desculpas ao pessoal que não curtiu e toda a azucrinação envolvida! =/)

É ótimo poder ver a evolução da paisagem ao longo do caminho, os paradigmas locais. Também é muito bom festar, comer muito gastando pouco, afinal não se sabe quando poderá almoçar ou jantar dignamente de volta. Assim, participa-se da roda de samba aleatória e faz capoeiragem nos lugares mais inusitados, como nos Geisers de El Tatio no Chile, né Raquel?

Gostoso de viajar é cantar no chuveiro, é dançar salsa com um porto-riquenho, é aprender mais sobre Lima conversando com um peruano, é pegar ônibus bem louco em um lugar desconhecido com o grupo de pessoas que faz sua viagem ser melhor, como o Rudinei, Ulisses e Alexandre!
Aprendemos a renovar a fé na humanidade com anjos em forma de gente que nos salvam de perrengues que ocorrem, como em Lima em fomos ao ponto de encontro errado e graças a um casal de peruanos achamos o lugar correto.

Conforme a viagem passa temos reconhecer que o mau-humor era apenas fome e pedir desculpas, Lucas que sabe como é né? Recomendo ficar em hostel, como o Puriwasi em Lima, em que dividimos o quarto com amigos colombianos. Saia para descobrir a rede de fast-food local e quem sabe se apaixonar por eles. Como um bom turista, aproveite e prove os pratos típicos, os temperos e as bebidas. 

Assim, ao se inserir no local, se sentir cada vez mais em casa até ter que partir novamente. Sempre tem aquele que precisa ligar para a embaixada como o Ulisses, aqueles que vai tirar 3 mil fotos como o Dan. Nos passeios turísticos também rola muita sedução, afinal quem nunca quis ganhar um beijo de um lhama chamado Paco, né Perla? Mas também rola muitos dons artísticos como o Mauricio provou ao pegar emprestado o violão do cara que trabalha na noite e arrasar. 

Sempre tem aqueles loucos que fazem uma rave na aduana como eu e o Pablo (qual era o DJ mesmo?). Há aqueles bons exemplos como a Marjana que colocou seus medos à prova e conseguiu vencer, aqueles que não tem medo de tempo ruim e vêm lá de longe para curtir uma viagem foda  como a Eveline e Alexandre. Todas essas experiências fazem a gente se sentir no topo do mundo, como o cume do Wayna Picchu ou Huayna Picchu e apreciar a vista recompensadora com ótimas companhias.

Bom mesmo é se apaixonar pela vida e pelas pessoas que fazem do nosso mundo um lugar melhor! E poder dizer: PORRA! EU fiz uma trip foda pra caralho! Saudades de todos e muito obrigada por tudo! Vocês são foda!"

E o textão continua nos comentários:

"É ganhar no cassino! Kinsey
É representar o Paraná: Suzana
É fornecer o rabo quente pra quem precisa, Gessica
É superar todos os problemas e não deixar de ser diva: Mariana
É não dizer uma palavra mas entrar na brincadeira: Guilhermo
Eveline Montiel diz: É ficar ansiosa na frete do pc esperando as fotos da galera pra poder comentar e matar um pouco essa tal de saudade!!!! <3
É se atrasar um pouco muito: Petter =P
É se molhar: Carol
É oferecer café pros inka amigos: Murad
É presidir um bando de loucos: Shaiane
É conversar com o motorista: Ivete, Cleiva, ...
É brincar de forca no trem para Machu Picchu: Adriana e Vinícius
É abrigar gentilmente desconhecidos em sua própria casa: Delmires
É apreciar cada gole do chopp: Rosana
Mariana Aita Dadda: Lindo, Vidoto! Adorei a tua sensibilidade. Foi cada detalhezinho desses que tu citou que tornou a viagem inesquecível!
Kinsey Pinto: .demais! Eu, hein!?
Rosana Soares: Verdade Mariana,cada detalhe... Quase chorei aqui Aline!!! Mas acrescentaria, é pegar uma carteira e não se dar por conta que essa não é sua!
Delmires Frigotto: Valeu, lindo !!
Aline Vidoto: Mauricio Chaves Favor passar as musicas andinas
Alexandre Sabino: Mauricio Chaves o nosso Dj Andino! Ei Aline Vidoto ficou muito massa, se garantiu nos detalhes!
Ulisses Arrieche: Chorando litros! *-* vomitando arco-íris wiphala!<3 é muito amor!
Lucas Linhares mto amor, mta parceria, mtas world's trip pela frente! <3 vc tchuquinha querida!
Mauricio Chaves Pen drive não encontrado! Começarei a postar diariamente links do youtube para todos apreciarem este ritmo contagiante que é a musica andina! Bj no coração de todos!
Perla Couto muito bonitinho Aline Vidoto... ato de sensibilidade!
Rudinei Cella Aline Vidoto sua demonia.... sem demagogia, TU ME FEZ CHORAR!!!!!!!! amei cada linha, cada detalhe, cada lembrança, cada um d vcs!!!! lindo lindo lindo"

Deste modo termino esse breve relato sobre a viagem mais foda que já fiz até hoje!

Bjs me liga!


sexta-feira, 8 de abril de 2016

Moullinex - Darkest Night

One night to be alone
fading shapes
cannot take me home
to you

this darkest night
on my own
face the cold
you cannot take me home
with you

come and fill the room
with your soft perfume
the lift is broken down
a place for me to drown

nothing's on tv
no mobility
I'm singing a song
for you and me

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Cap 17 - Tim

Mesmo com a ajuda de Tim as minhas esperanças foram jogadas no lixo. Giuseppe não se casou com a sua noiva prometida, não se casou comigo, não o vi desde que ele foi viajar para longe, com uma proposta de trabalho ele se jogou na aventura de sua vida... Soube que ele se casara com uma nativa das terras além-mar, se é que estas terras existiam!

E eu? Bom, ele me mandou uma carta curta, me agradecendo pelos bons tempos, no maior estilo: prazer fazer negócios com você! (insira o xingamento de sua preferência aqui), eu fiquei a maior parte do tempo entrevada na cama, não comia, não dormia, não sorria, tinha largado a vida e a esperança de vida. Aos poucos fui definhando, perdendo completamente as minhas forças...
Até o dia em que uma libélula entrou no meu quarto.

Fiquei observando-a com olhos distantes, a libélula posou no meu nariz e eu nada fiz. Meu olhar ficou vazio de volta e eu vi a minha história como se fosse um livro, como se fosse de outra pessoa e eu entendi. Entendi que tinha que mudar e que a libélula tinha me libertado, pela primeira vez em meses sorri! Minhas articulações estavam enferrujadas, tudo doía mas era festejado por mim. Eu estava viva! Viva!

Tim me ajudou a recuperar as forças, e sempre me fazia rir com as suas palhaçadas. Onde estaria a minha felicidade? Um dia Tim estava bêbado e me beijou, mas isto só melhorou a nossa amizade. Ele me contava dos caras com quem saía e eu ouvia atentamente enquanto curava mais um coração partido (ou deveria dizer: coração estilhaçado?). Juntei todos os pedaços e me recuperei, decidi mais uma vez partir, afinal, a estrada era irresistível.

Deliro em achar qual foi o ponto da minha jornada em que me perdi dentro de mim.
A loucura (normal que eu não era, não é?) sempre me acompanhou e às vezes até ditou o meu modo de agir.

Voltei a ter esperanças de vida, de mundo. Mas as esperanças de um amor eu deixei em algum lugar em alguma parte da viagem que era a minha vida. Senti que precisava voltar ao início, para a casa que um dia era meu ponto de referência, meu controle, minha vida, minha família. Devia uma explicação à  aqueles que um dia me amaram como filha, irmã, prima. E lá fui, não foi fácil ver a decepção nos olhos dos meus pais mas enfrentei. Mesmo assim eu não poderia ficar ali por muito tempo. Minha fama chegaria até lá em algum momento, algum cliente viajante, algum boato maldoso... Não queria envergonhá-los perante à pacata sociedade hipócrita de outrora.

Não pela última vez eu parti...

31/08/2015

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Sem vez

Era vez
Era uma mais uma vez
Era a minha vez
E eu perdi
De novo

Era outra vez
E mais uma vez
Contei o tanto de vezes
Que o telefone
Se pôs a chamar

Mas desta vez
Não houve vez
Pois às vezes
Precisamos
Recomeçar

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Devaneios da madrugada

Era mais um conto sem começo nem fim, daqueles que nos faz querer pedir mais uma dose.
Fazia pouco mais de dez minutos que ela tinha voltado pra casa e já ouvia ao longe a reclamação de seus pais: era conta pra pagar, cachorro no lugar errado, ela que ficou fora por tanto tempo, ou seja, tudo mesmo que fosse nada era motivo.
Se cansou desta situação em menos de vinte minutos, então resolveu tomar um longo banho para refrescar a cabeça, não tinha nenhum lugar no mundo que ela sentia que pertencia, tudo era tão passageiro que ela esqueceu o que importava.
Passou dias deprimida, pensando que o cinza das densas nuvens que cobriam a cidade inteira há pelo menos um mês se dissipariam com mais facilidade.
No começo foi difícil acostumar com a rotina cheia de confusões e sortilégios, mas no final de semana ela nem ligava mais pro que acontecia, só deixava a maré a levar para onde quer que fosse.
Aliás... Seria uma coisa ótima estar junto ao mar em uma hora destas... Neste devaneio ela percebeu que precisava se sentir viva, precisava sentir seu corpo dançar, seu coração bater... Sem pensar ela pegou aquele par de tênis, colocou uma roupa confortável e levou seu mp3 player. Deu a primeira volta na quadra com um suspiro de liberdade, mesmo que às vezes a liberdade possa ser tão opressora quanto um turbilhão de sentimentos voltando à superfície.
Ela se lembrou da dor de ser ela mesma: todos a julgavam uma incapaz, todos a julgavam um ser inferior, todos a julgavam não merecedora das coisas boas, mas o que mais doía era que ela própria se julgava como todos os outros. Doía e ela tentava se fechar dentro de si mesma para tentar se machucar menos. Doía, mas ela sorria na superfície. Doía, mas ela era um lago profundo de tristeza em que o sol só reflete sua superfície, nele há grandes tesouros enterrados e grandes monstros que o habitam. 
Ela só precisava colocar as coisas no lugar e tornar este ambiente ecologicamente sustentável. Achou que não era difícil, deveria ser como arrumar o guarda-roupa e encontrar uma carta escondida de alguém que ela já quase nem lembra a história, quase nem lembra o rosto ou o gosto.
Parecia tão real colocar as coisas em ordem que ela se sentiu mais leve, tirou o lixo e separou umas roupas para doar. Não iria demorar muito na próxima viagem, ela se sentia meio cigana demais, talvez índia, devia ter uma veia nômade muito forte, mas por um momento sentiu que poderia realmente descansar das drogas, do álcool e das brigas.
Contudo ela queria sentir o vento, queria ter o espaço dela, casar e ter filhos com o homem de sua vida, embora ela não tivesse certeza do futuro.
Após algum tempo ela fez as malas novamente e saiu para escrever sua própria novela, aquela que não passa na TV, aquela em que ela é a atriz, diretora, espectadora e apresentadora.

Para onde será que ela vai desta vez?

Talvez sonhar com a próxima jornada.
Boa noite.