Era mais um dia comum, com tarefas comuns, ou seja, com a mais perfeita rotina inquebrável. De repente minha mente deu um clique: eu faria diferente! Assim, coloquei uma roupa leve, peguei a minha bike e pedalei para a descida mais próxima. Me joguei, deixei a gravidade agir. Me inclinei sobre a bicicleta para pegar mais velocidade.
Eu finalmente estava livre de todas as preocupações que me corroeram nos últimos dias.
Sentia o vento batendo em meu rosto. Ah! A adrenalina!
E se esvai no momento seguinte...
sábado, 26 de janeiro de 2013
quinta-feira, 3 de janeiro de 2013
Cap 14 - Sonhos
Mergulhei no mundo onírico e despertei no paraíso: uma ilha. Lá havia chuva e sol, mar de baía, botos, barracas. Caminhei até onde eu poderia ficar sentada sozinha, sempre assim: sozinha. Lá do banco de areia eu podia ver as pessoas tão pequenas que pareciam formigas.
Experimentei o mar, estava levemente frio em um primeiro momento, depois de um mergulho ficava delicioso, com as pequenas ondas da baía batendo suavemente na margem, natureza me cercava e de algum modo eu me sentia protegida.
Saí do mar e corri pela praia enquanto o vento levantava uma poeira de areia que deixava rastros ondulados, um espetáculo divino. Chamei o seu nome que eu nem mesmo sabia, corri mais ainda, a noite caiu. Cansada e desiludida, inebriada pela beleza natural e completamente triste por não ter alguém íntimo com quem dividir a paisagem voltei ao camping, e na simples cozinha te encontrei.
Conversa vem e vai, fomos para a praia, apreciamos a madrugada, a companhia um do outro, e quando percebemos vimos o sol nascer lindamente. Nos dias anteriores a chuva tinha castigado as barracas, o que tornava esta aurora ainda mais especial. Senti uma conexão com a vida, contigo, com o amor transcendental que eu nunca tinha experimentado. Você quis ir embora, eu não quis que você fosse. Não queria perder o momento, meu déjà-vu anterior me dizia que você era especial, alguém que eu não poderia deixar ir facilmente, alguém importante para mim. Mas eu não conseguia dizer isso, as palavras pareciam não ser suficientes para expressar o momento, e realmente não eram, agora eu sei. Eu só sorria por sua causa.
Deixei você partir, mas ficou uma promessa atrelada aos 'olhos-de-boi' e quando eu deixei o medo de não te ver de volta me consumir, perguntei se eu deveria persistir e achei o 'olho-de-boi' mais lindo. Carreguei-o em todos os lugares, nos banhos de mar, no chuveiro, debaixo do travesseiro, era uma promessa. Como não te encontrei nos outros dias decidi sair a sua procura, enfrentei mangues, a noite, a insegurança, o meu medo de ser rejeitada de novo por alguém. Errei o caminho mais de uma vez e quando estava quase desistindo encontrei o caminho certo, e você estava lá. E eu não sabia o que dizer, mas entreguei aquele símbolo de promessa, tentando demonstrar o quanto eu queria que continuasse.
De volta parecia que qualquer palavra estragaria o momento, eu só queria ficar ali, ali onde eu finalmente me senti completa como nunca antes me senti, feliz, repleta de amor infinito. Então a chuva veio, lavou meu sonho e o levou para onde eu estava: mais uma vez indo para longe, fugindo. Um lugar que ninguém soubesse quem eu sou, onde eu pudesse recomeçar, mas meu lar estava por perto, eu podia sentir meu coração pulsando forte. Havia uma espécie de ligação invisível entre nós dois, e eu sorri timidamente para o nada. Eu sei que você está aí em algum lugar e eu não vou desistir tão fácil de você.
Experimentei o mar, estava levemente frio em um primeiro momento, depois de um mergulho ficava delicioso, com as pequenas ondas da baía batendo suavemente na margem, natureza me cercava e de algum modo eu me sentia protegida.
Saí do mar e corri pela praia enquanto o vento levantava uma poeira de areia que deixava rastros ondulados, um espetáculo divino. Chamei o seu nome que eu nem mesmo sabia, corri mais ainda, a noite caiu. Cansada e desiludida, inebriada pela beleza natural e completamente triste por não ter alguém íntimo com quem dividir a paisagem voltei ao camping, e na simples cozinha te encontrei.
Conversa vem e vai, fomos para a praia, apreciamos a madrugada, a companhia um do outro, e quando percebemos vimos o sol nascer lindamente. Nos dias anteriores a chuva tinha castigado as barracas, o que tornava esta aurora ainda mais especial. Senti uma conexão com a vida, contigo, com o amor transcendental que eu nunca tinha experimentado. Você quis ir embora, eu não quis que você fosse. Não queria perder o momento, meu déjà-vu anterior me dizia que você era especial, alguém que eu não poderia deixar ir facilmente, alguém importante para mim. Mas eu não conseguia dizer isso, as palavras pareciam não ser suficientes para expressar o momento, e realmente não eram, agora eu sei. Eu só sorria por sua causa.
Deixei você partir, mas ficou uma promessa atrelada aos 'olhos-de-boi' e quando eu deixei o medo de não te ver de volta me consumir, perguntei se eu deveria persistir e achei o 'olho-de-boi' mais lindo. Carreguei-o em todos os lugares, nos banhos de mar, no chuveiro, debaixo do travesseiro, era uma promessa. Como não te encontrei nos outros dias decidi sair a sua procura, enfrentei mangues, a noite, a insegurança, o meu medo de ser rejeitada de novo por alguém. Errei o caminho mais de uma vez e quando estava quase desistindo encontrei o caminho certo, e você estava lá. E eu não sabia o que dizer, mas entreguei aquele símbolo de promessa, tentando demonstrar o quanto eu queria que continuasse.
De volta parecia que qualquer palavra estragaria o momento, eu só queria ficar ali, ali onde eu finalmente me senti completa como nunca antes me senti, feliz, repleta de amor infinito. Então a chuva veio, lavou meu sonho e o levou para onde eu estava: mais uma vez indo para longe, fugindo. Um lugar que ninguém soubesse quem eu sou, onde eu pudesse recomeçar, mas meu lar estava por perto, eu podia sentir meu coração pulsando forte. Havia uma espécie de ligação invisível entre nós dois, e eu sorri timidamente para o nada. Eu sei que você está aí em algum lugar e eu não vou desistir tão fácil de você.
segunda-feira, 26 de novembro de 2012
Cap 13 - Dor
Viajando de trem eu me sentia livre, há muitos lugares para descobrir, pessoas. Por mais que a sensação de simplicidade me invadisse com os cenários arrebatadores, plantações, criações de animais. Só havia um sentimento que eu já estava acostumada e considerava parte de mim: dor. Com ela eu estava solitária, mas ao mesmo tempo fazia sentir uma comunhão comigo mesma que era inegavelmente forte. Ninguém me manipularia, ninguém ultrapassaria os muros fortes e sólidos, com bases firmes que criei em mim. Criatura da noite, podia mudar de vinho para água em dois segundos. Por mais que eu me deixasse levar, era eu que tinha o comando, por mais que no fundo eu quisesse encontrar alguém que fosse tão teimoso quanto eu. Alguém que seja tão manipulador quanto eu... Alguém que não existe, esta é a simples verdade.
De qualquer forma não acredito nos contos de fadas, não acredito que eu possa ser feliz. Existe algo dentro de mim que grita 'PERIGO!' toda vez que alguém se aproxima demais, toda vez que alguém consegue ler meus pensamentos debaixo da minha face impenetrável, através dos meus olhos.
Sou feita de fibra forte, casca dura e interior mole como um pêssego em conserva. Quem me conhece profundamente sabe... Por outro lado quem me conhece a tal ponto de saber que quando eu digo um não às vezes é um sim? Quem saberá que quando eu mais recuso proximidade é quando eu mais preciso de um abraço para não quebrar? Quem? Não existe.
E acompanhando a dor, outro sentimento comum para mim: solidão. Claro, eu afastava todos! Mas eu não conseguia mudar, confiar em alguém novamente? Muito difícil! Talvez se for alguém tão estragado quanto eu... Alguém que viva à margem, à sombra da sociedade, mesmo que no cotidiano esteja inserido em partes importantes, existe algo dentro de nós que se não cuidarmos simplesmente quebra.
Então, me sentindo quebrada, dolorida e sozinha no mundo: me vi chorando novamente. Como se fosse resolver algo, como se tudo pudesse mudar na próxima estação, como se eu tivesse chance de ser feliz de volta. 'Não há solução, você sabe' me dizia uma voz dentro de mim, 'Ainda há esperança! Não desista!' dizia outra voz dentro de mim. Não resisti e quando percebi já estava onde eu mais gostaria: no mundo onírico...
domingo, 25 de novembro de 2012
Cap 12 - Máscara
O tempo passou e Damian estava de casamento marcado, meus planos foram por água abaixo e eu apenas o ignorava, mesmo porque nada havia acontecido entre nós além de uns olhares repletos de desejo. Mas eu não era a opção principal, mais uma vez eu estava marginalizada. Quem iria querer alguém com um passado tão sórdido? Sei que carrego o peso do que aconteceu no fundo do meu olhar, posso aparentar a melhor pessoa, mas no fundo eu sei que eu não sou. Sei cada defeito, cada escolha errada e posso enumerar as vezes que fugi para tentar me preservar embora elas sejam numerosas. Necessariamente eu me tornava cada dia mais distante enquanto vestia a máscara que me protegera tantas e tantas vezes, a frieza de fingir que sou quem eu não sou.
Eu não seria uma segunda opção, não seria o ser desprezado e jogado em qualquer viela ou vala em que eu coubesse. Nunca me contentei em jogar só por competir, meu objetivo sempre foi ganhar e só entrava em jogos e apostas que eu sabia que isto iria acontecer. Mesma coisa competir por homem: desnecessário, dificilmente eu não conseguia quem eu queria, mas também, aqueles difíceis é que atraíam o meu fascínio mais intenso, que corroíam o meu ser e me faziam perguntar: 'porque não?'
No fundo eu não queria partir, mas eu precisava sentir o vento da tempestade modificando significativamente a minha vida. Não pela primeira vez eu me vi correndo pro lado oposto dos meus desejos. Se queria um, corria pra outro. Se queria ficar, fugia. Era um padrão que eu entendia porque existia e não conseguia quebrá-lo, pois não conseguia admitir para mim mesma quanto mais para os outros. Tudo estava milimetricamente planejado para a minha próxima fuga: a hora, o dia, quais roupas eu iria levar, as palavras que seriam necessárias na carta de despedida para a família. E é claro, o bilhete para o Damian, onde obviamente eu diria o quanto eu sentia muito por matar algo que nunca começou efetivamente, mas não. Não escrevi este bilhete, afinal que tudo ficasse subentendido, seria mais fácil de esquecer: dele me esquecer. Pois o contrário seria praticamente impossível. Não pela última vez eu fugi, na bagagem só precisava de uma coisa: máscara.
Eu não seria uma segunda opção, não seria o ser desprezado e jogado em qualquer viela ou vala em que eu coubesse. Nunca me contentei em jogar só por competir, meu objetivo sempre foi ganhar e só entrava em jogos e apostas que eu sabia que isto iria acontecer. Mesma coisa competir por homem: desnecessário, dificilmente eu não conseguia quem eu queria, mas também, aqueles difíceis é que atraíam o meu fascínio mais intenso, que corroíam o meu ser e me faziam perguntar: 'porque não?'
No fundo eu não queria partir, mas eu precisava sentir o vento da tempestade modificando significativamente a minha vida. Não pela primeira vez eu me vi correndo pro lado oposto dos meus desejos. Se queria um, corria pra outro. Se queria ficar, fugia. Era um padrão que eu entendia porque existia e não conseguia quebrá-lo, pois não conseguia admitir para mim mesma quanto mais para os outros. Tudo estava milimetricamente planejado para a minha próxima fuga: a hora, o dia, quais roupas eu iria levar, as palavras que seriam necessárias na carta de despedida para a família. E é claro, o bilhete para o Damian, onde obviamente eu diria o quanto eu sentia muito por matar algo que nunca começou efetivamente, mas não. Não escrevi este bilhete, afinal que tudo ficasse subentendido, seria mais fácil de esquecer: dele me esquecer. Pois o contrário seria praticamente impossível. Não pela última vez eu fugi, na bagagem só precisava de uma coisa: máscara.
sexta-feira, 21 de setembro de 2012
Sê loucura, cura.
"Um segundo, um olhar, um beijo, um sussurro, um sorriso...
Dois segundos, tensão no ar, uma decisão.
E assim instantes se transformam em sonhos e sonhos em realidade. Nada como imaginei, pouco como quis, tudo o que desejei de forma que nunca pensei. Destino.
E de repente desejos são substituídos por outros, e quando realizados por outros.
Nem sempre parecidos, nem sempre com o mesmo alguém.
Let it be. Let it rain.
Como chuvas que vem e que vão quando mais ou menos esperadas. Você chega. E você vai.
E eu vou também, sempre vou. Facilmente eu diria. E quase tão fácil eu volto, quando eu quero, quando eu já esqueci o motivo que me fez partir, ou até mesmo, quando todos os motivos não tem a razão de existirem mais.
Pois tudo muda e eu também. Venho e volto quando me convém.
Discursos longos sobre problemas me cansam, e distâncias longas também.
Quero-o perto, hipnotizado, dependente. Quero lhe usar. Destino. Desatino.
Loucura. Cura. Secura. Cura.
Sê loucura, cura.
E acordo no meu mundo real."
Todos os créditos da figura acima para Alex Grey.
Bom dia!
See ya! =*
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