_ Assim como? Perguntou ele. Ok a postura impassível.
_ Você vai me abandonar sem ao menos dizer que não quer nada comigo além de sexo? A voz dela oscilou enquanto faltava a última palavra.
_ Você sabia que eu não quero me apegar. A expressão dele ainda era neutra.
_ Eu me apeguei a você desde a primeira vez... Afirmou ela levando as mãos ao rosto, como se quisesse esconder a vergonha
_ Eu sei, por isso eu me afastei, para não te machucar. Ele continuava irredutível.
_ E você acha que simplesmente sumindo não vai me machucar? Na verdade, para mim, quando a outra pessoa some eu sinto até mais. Porque não sei o que esperar... Explicou ela, uma lágrima escapou de seus olhos, enquanto ela cerrava os dentes, para não deixar as outras lágrimas caírem.
_ Eu sinto muito, não posso ficar. Ele demonstrou um pouco de afeto ao tentar acariciar o rosto dela, que desviou.
_ Também sinto muito, não posso mais aceitar as suas migalhas de afeto. Você é meu vício e eu fico esperando a próxima microdose, que quase sempre não vem. Você entende o quanto isso é torturante? Questionou ela.
_ Só consigo imaginar o quão intenso é isso tudo para você. Ele abaixou a cabeça, resignado.
_ Intenso? Você não viu a intensidade ainda! Realmente, é melhor a gente parar de se falar, mesmo eu querendo completamente o contrário... Seu tom de voz ficou mais firme, mas a postura ainda tinha uma brecha. "Era só ele se declarar para mim, não me deixar ir embora, era só ele me abraçar e dizer que tudo ia ficar bem" ela desejou do fundo de sua alma.
_ Eu não quero parar de falar contigo. Agora sua voz parecia uma leve súplica.
_ Mas também não quer falar, né? O tom dela mudou automaticamente para acusação, mesmo ela tentando não ser agressiva.
_ Perdão, você merece alguém que te trate melhor do que eu, que realmente te dê atenção.
_ Eu concordo! Sua afirmação saiu em um tom mais agudo e alto do que ela esperava. Deu meia volta e se preparou para partir. Ele segurou seu ombro.
_ Nem um beijinho de despedida? A pergunta era audaciosa, considerando o nível de fúria que ela estava. Sem olhar para trás ela retirou a mão dele de seu ombro e disse, resoluta.
_ Agora é tarde demais.
Ele a observou partir e sentiu seu coração partir em milhares de pedaços, como se fosse de vidro e suas ínfimas partes o cortavam por dentro e sangrava. Agora ele estava chorando em silêncio. Ela não olhou para trás ou vacilou por nenhum momento.
_ Eu sei que fui eu que perdi, você merece alguém melhor do que eu, alguém que possa te fazer feliz, como eu não pude te proporcionar...
--x--
"Eu não acredito que ele não está correndo atrás de mim, agora terminou mesmo. Eu definitivamente não queria isso, mas não podia mais aceitar toda aquela migalhada que ele me dava... Eu realmente, do fundo do meu coração, nutri os sentimentos mais bonitos e profundos por você, mas você não sabe nem diferenciar um "mas" de um "mais", não sabe se fazer presente, mesmo longe. Não leva em consideração os meus sentimentos...
Ela sentiu na escadaria da porta dela frente de uma igreja católica, já bem longe do olhar dele e desabou a chorar. "Será que um dia eu serei finalmente escolhida?" Essa pergunta ecoava dentro dela e a fazia querer vomitar de ansiedade. Um recém formado padre, na casa de seus 30 anos, moreno dos olhos azuis, viu a cena e a chamou para entrar. Ofereceu um copo de água e lenços de papel. E assim começou uma amizade sincera que teria uma reviravolta gigantesca.
Mas isso é papo para outro post...
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